É carnaval! 6 dicas de paquera com uma pessoa com deficiência - Sarah Santos

segunda-feira, 4 de março de 2019

É carnaval! 6 dicas de paquera com uma pessoa com deficiência


O carnaval chegou e é a época em que muitos trabalhadores encontram o descanso dos justos. Os religiosos reservam um tempo para o refúgio espiritual, outros viajam ou até mesmo ficam no acalento da cama e Netflix. Mas, para os cidadãos que assumem a função de foliões e gostam de festa, carnaval é a época em que todos se unem e ocupam as ruas com música, fantasia e danças. Também, é época de desbravar as multidões à procura da sua outra metade, ou no caso, de várias metades.

Acontece que nessas situações e em muitas outras que englobam o convívio social, a pessoa com deficiência fica de fora. Seja pela falta de acessibilidade nas ruas, falta de educação do aglomerado de pessoas ou pelo estranhamento que causa nos blocos quando uma pessoa com deficiência cai na folia, muitas até gostariam de colocar o corpo para jogo nesse feriado, mas ficam em casa. Mas, como é para frente que se vai, precisamos acabar com o paradigma de que pessoa com deficiência não se diverte.

Então você, folião que já está com o glitter contado para ir ao carnaval e não pretende ficar sozinho, pode olhar ao redor sem preconceito e se arriscar a um romance inclusivo. Mas, para as dúvidas que surgirem, aí vão algumas dicas:

1 - Não é não
É primordial dizer e relembrar que depois do 'não' tudo é assédio. Em todo flerte, entre pessoas com ou sem deficiência, é fundamental respeitar a vontade do outro em estar ali. Pessoas com deficiência sofrem risco dobrado de assédio e abuso sexual, então, é importante não só fazer a sua parte, como ajudar uma pessoa com deficiência que esteja em situação de vulnerabilidade no carnaval. Ofereça ajuda, avise aos policiais que estiverem próximos e não se ausente.

2 - Jogue o preconceito fora
Lembre que o outro é um ser humano assim como você, com vontades, medos e desejo de cair no samba. Se você gostaria que olhassem para você sem preconceitos, faça o mesmo com as pessoas ao seu redor e não permita que os julgamentos ou receio do que os outros vão pensar estrague a oportunidade de um encontro bacana.

3 - Se abaixe à altura da pessoa
Se o crush em questão for uma pessoa cadeirante ou com nanismo, você pode se abaixar à altura dela para conversar, dar um cheiro ou aquele beijo. É desconfortável para uma pessoa ficar olhando para cima o tempo todo e faz parte da conquista deixá-la mais a vontade com você. Então, como diz o funk, "ajoelha e se prepara".

4 - Pergunte ao acompanhante
Caso se interesse por uma pessoa com deficiência e bata aquele receio, pode também procurar um acompanhante e perguntar se ela está solteira e teria interesse. Se for uma pessoa surda e você não souber falar LIBRAS, não desista. Com tempo e disposição, vocês podem encontrar a melhor maneira para se comunicar.

5 - Não faça disso um espetáculo
Há um entendimento popular e preconceituoso de que quem fica com uma pessoa com deficiência é "heroi" ou "não perdoa ninguém". Muitas pessoas filmam e tiram foto ou fazem isso só para ter algum reconhecimento entre os amigos. Não seja essa pessoa. E, se avistar um casal com uma pessoa com deficiência no meio da folia, não grite, tire fotos ou tenha alguma atitude inconveniente. Se você não gostaria que te constrangessem, não constranja outras pessoas.

6 - Não tenha vergonha de perguntar
As deficiências ainda são fruto de muito desconhecimento e dúvidas por parte das pessoas. Está tudo bem com isso. Se surgir alguma dúvida, não tenha receio de perguntar "como você se sente melhor?" e fazer daquele momento especial e sem constrangimentos.

Essas dicas não servem apenas para o carnaval, mas em qualquer outra ocasião na qual você se interesse por uma pessoa com deficiência. Ainda é preciso muito para acabar com o medo e vergonha de pessoas com deficiência ao saírem de casa e o preconceito de pessoas sem deficiência nas ruas. Mas, aos poucos, com muito amor e respeito, isso vai se tornar apenas um passado triste e eu não vou precisar escrever textos como esse, pois essa será uma realidade comum.

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