O que fazer quando o seu filho perguntar sobre a deficiência do coleguinha - Sarah Santos

sábado, 16 de fevereiro de 2019

O que fazer quando o seu filho perguntar sobre a deficiência do coleguinha



Ter um filho que respeita as diferenças é melhor que ter filho concursado


Imagine uma cena de comercial de perfume. O indivíduo anda pelas ruas graciosamente e atrai olhares como um imã atrai metal. Para uma pessoa com deficiência, a vida é um constante comercial de perfume. No entanto, a apreciação não acontece pelo cheiro irresistível que exala pelo ar... É por curiosidade, mesmo. O pouco contato da sociedade com as deficiências faz com que esse grupo cause estranhamento ao frequentar qualquer espaço fora de sua casa.

Ao andar nas ruas, ônibus e outros locais públicos o pico de atenção já torna-se constrangedor. A situação se agrava quando uma pessoa com deficiência frequenta universidades, empresas, cargos de liderança ou locais de cultura e lazer como bares, boates e shows. Como assim, uma pessoa com limitações físicas ou intelectuais está apta para sair de casa? Com a companhia de quem? Com a autorização de quem?

Mas precisamos falar sobre as crianças. Elas, com suas pernas curtas e saltitantes, a voz estridente e a atitude perfeitamente genuína e espontânea. A diferença entre adultos e crianças sem deficiência ao conhecerem uma pessoa com deficiência é essa: a espontaneidade.  Enquanto adultos olham com pesar e soltam as frases ensaiadas e carregadas de significado como “você é um exemplo de vida” e “tanta gente reclamando e você aí”, com os mais novos o buraco é mais embaixo.

Eles olham nos olhos e perguntam descaradamente. “Você nasceu assim?” e “porque tem essa deficiência?” são as mais populares seguidas de toques um pouco intrometidos e curiosidade que escapa. No entanto, quando a excentricidade se esvai, você torna-se só mais um. Uma criança não olha para alguém com deficiência como se fosse alguém necessitado, inferior ou ‘especial’, termo constantemente utilizado por adultos. Essa naturalidade é rara e valorosa.

Sobra para os pais o constrangimento. Chamar o filho de lado e sussurrar para não perguntar, não apontar e não olhar demais. O que sobra de liberdade em atitude nas crianças, ressalta em praxe nos adultos. Acontece que o mundo precisa de autenticidade e os pais precisam aprender a ensinar os seus filhos a lidar com as diferenças da maneira correta.

Pais, quando o seu filho ver uma pessoa em cadeira de rodas, amputada, com deficiência visual ou outra limitação física ou intelectual, aja com a naturalidade de quem está criando um ser humano que vai respeitar a diversidade. Se ele perguntar, não repreenda. Se ele apontar, não dê beliscões. Se ele insistir nas perguntas, seja paciente e compreensivo. É importante para nós, pessoas com deficiência, que as crianças encarem o outro com respeito, empatia e afeto.

Abaixem-se à altura deles, olhe em seus olhinhos e expliquem pacientemente que o mundo é feito de diferenças e a gentileza é o melhor remédio para a apatia que assola a sociedade nos dias atuais. Ensinem-os a prezar pela participação das minorias em espaços de destaque, abominar toda discriminação e não apenas assistir os dias se passarem para pessoas com deficiência, mas ajudar efetivamente a fazer dos seus dias mais doces.

Chame pessoas com deficiência que estejam dispostas para conversar com os seus filhos sobre inclusão, acessibilidade e direitos civis. Mostre as calçadas sem rampas, as vagas de estacionamento e bancos de ônibus ocupados inapropriadamente. Diga para os seus filhos que não quer que eles se comportem dessa forma.

Não haverá uma recompensa em dinheiro, uma reviravolta do mundo ou uma estrelinha dourada para crianças que são ensinadas a ter uma postura decente perante o outro. Mas criar um filho com a mente e a alma sadia é criar um filho que também terá mais amor e respeito pelos seus pais quando a velhice chegar. É criar um ser humano que abra portas na vida com gentileza, carinho e respeito pelo mundo.

Os adultos preconceituosos de hoje aprenderam essas atitudes com alguém. Vistorie o seu próprio comportamento também para dar o melhor exemplo. Seja o adulto que quer que o seu filho seja quando crescer. Não apenas ensine o respeito para as suas crianças, mas escolha ser respeitoso todos os dias.

Um comentário

  1. Excelente visão de inclusão e empatia que você passa com a sua vivência para quem é pai/mãe nesse artigo, é muito importante educar para a paz e pelo amor sempre, você revolucionou meu modo de pensar sobre como educar meu filho com relação as pessoas especiais... Estou apaixonada por esse seu espaço, pela sua delicadeza em compartilhar o amor que vc é e tem. Saudades. Obrigada! Amo você. Gabx

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