Uma carta para o ano que chegou

09:35


 Todo início de ano têm suas resoluções fantasiosas: entrar em um relacionamento, mudar a aparência física, adquirir posses ou títulos, ter controle financeiro e emocional da sua vida. Estabelecidas as metas, a vida se encarrega de solucionar as que forem de seu agrado. Confiar na vida desta forma é arriscado, coloca nossa lista de desejos em cheque. Para não me render às falácias de janeiro, escrevo uma  carta de intenções para os 365 dias que estão por vir:

Querido 2018,
 Este ano, prometo estar presente em corpo, alma e espírito à cada segundo compartilhado, mesmo os mais entediantes. Prometo olhar mais nos olhos que no monitor do celular e não ter medo de contato físico, pois é através do corpo que os sentimentos se libertam.

 Prometo valorizar e agradecer as pequenas coisas. A cama, os lençóis, o chão geladinho, o café, o pão, a manteiga, o primeiro vento do dia que bate no rosto e o sol que irradia a pele. E mesmo quando o calo apertar, ser grata pelos sapatos que permitam que meus pés estejam protegidos. Que essa gratidão me faça ter carinho e cuidado com a vida.

 Prometo não viver em função de likes, mas entender o que se passa na mente e no coração das pessoas ao meu redor. Enxergar a vida off-line em primeiro plano, sem os filtros e promessas de felicidade que modificam o que deveria ser verdadeiro. Prometo colocar o cultivo dos relacionamentos pessoais como prioridade em minha vida.

 Prometo olhar para as pessoas com olhos de amor. Viver o ano em luta constante para vencer os julgamentos pessoais e cuidar mais dos próprios erros, para não buscar defeitos no próximo. Perceber que no fim do jogo, somos todos peças com defeito de fábrica em construção e merecemos a empatia que gostaríamos que tivessem conosco.

 Prometo praticar o amor próprio e dedicar meu tempo e recursos para o autoconhecimento. Enfrentar o interior e questionar constantemente, na tentativa de ser uma versão melhor de mim mesma. Não aceitar menos que mereço e não oferecer menos que me ofertam em dedicação e afeto. Lutar e construir pontes para relacionamentos mais saudáveis.

 Sei que não seremos felizes o ano inteiro, e não é esse o objetivo. Talvez não tenhamos as posses e conquistas escritas em papel no fim do ano anterior e estipuladas como metas, mas devemos utilizar as adversidades como gatilhos para tentar novamente ou buscar caminhos alternativos. Ao realizar uma retrospectiva dos acontecimentos, o que se destaca não são os méritos feitos, mas a estrada que levaram até eles, os momentos de dúvidas e descobertas.

 Prometo que a fé, a leveza e o bom humor farão morada em meu peito a cada passo.



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