Entreviste uma Mulher: Bela Gil, apresentadora e culinarista

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 A entrevista aconteceu em uma coletiva de imprensa com veículos de comunicação locais na Temporada Gourmet, que aconteceu entre os dias 11 e 17 de setembro de 2017, no Shopping Campo Grande. A principal atração do evento foi a aula-show de Bela Gil sobre o universo da culinária natural. Deixo aqui meus agradecimentos a assessoria do shopping pelo acesso a entrevistada. O encaminhamento da pauta e entrevista foi realizada com dois amigos estudantes de jornalismo: Gustavo Zampieri e Larissa Ivama. Gratidão, amigos! 

 Bela Gil é apresentadora de televisão e culinarista, faz parte do programa Bela Cozinha no GNT e possui o Canal da Bela, no Youtube. É conhecida, principalmente na Internet, por propor uma alimentação consciente e saudável. Durante toda a conversa, Bela foi receptiva e disposta a dialogar. Segue a entrevista.

Como é a culinária na sua casa?
Bela: Essa é uma pergunta que me fazem bastante, mas a culinária na minha casa é basicamente comida de verdade! Tem arroz, feijão, farofa, legumes... Não entra carne na minha casa, pois meu marido é vegetariano e eu raramente como, apesar da minha filha gostar bastante. Mas há muitas plantas não convencionais, eu tenho uma hortinha em casa e estou sempre colhendo.

Em uma família totalmente musical, o que te levou para o campo da gastronomia?
Bela: primeiro, eu entendi que não tenho nenhum dom pra música. Eu não canto bem, não toco bem. E seguindo a veia criativa e artística da família, acabei indo para o lado da culinária, o que acho que também seja uma arte.

Ao apresentar um prato em uma aula-show, você busca ingredientes típicos da região?
Bela: eu gosto muto de desmistificar o grande mito de que a culinária saudável não é prática e não dá para consumir no dia-a-dia, pois na verdade, dá sim. Esse momento é muito oportuno para tirar dúvidas e mostrar como é a cozinha, pelo menos no meu cotidiano. Eu quero mostrar que é simples comer bem e que dá para variar o cardápio. 

Você percebe que a dieta dos brasileiros tem mudado?
Bela: sim. Quando eu comecei o programa, com o Bela Cozinha, tem uns quatro anos... Essa culinária era vista como alternativa ou diferente. Hoje, mais pessoas estão engajadas e procurando essa mudança na alimentação. Então, está mais fácil e acessível. Não só os ingredientes que estão mais baratos, mas estamos conseguindo encontrar em mais lugares. E isso é bom, acho que o produtor tem diversificado mais o seu cultivo e percebido que há demanda para esses ingredientes.

Quão desafiador é ter um discurso sobre a alimentação natural em todo este contexto do agronegócio?
Bela: eu tenho um objetivo, tenho um foco, e acredito no meu pensamento. Então, não me vejo ser contraditória, mas está na hora do Brasil mudar sua visão de produção e distribuição de alimentos, precisamos dar mais espaço para a agroecologia, porque eu vejo ela como uma grande saída para conseguir colocar um alimento de qualidade, sem veneno, na mesa dos brasileiros. Enquanto tivermos esse sistema de produção na mão de poucos, vai ficar difícil combater a fome no Brasil e no mundo.

Nós vemos um estilo de vida fitness em evidência, você acredita que isso seja só uma moda ou algo que veio para ficar?
Bela: eu acho que pode ter virado uma moda, por um tempo, mas acho que agora é uma tendência e espero que vire um hábito de todos. Então, eu vejo esse motivo como algo positivo para o outro lado. Não sou uma pessoa fã de suplementos ou superalimentos, ou vangloriar um micronutriente só. Sou a favor da comida de verdade, de uma dieta diversificada, então, não necessariamente sou uma musa fitness. Mas, acho que é importante para mudarmos nossa visão e mudar esta cultura de preconceito com a alimentação saudável.

Geralmente, esses alimentos naturais são mais caros. Como comer bem, gastando menos?
Bela: então, os alimentos saudáveis serem mais caros depende de quem e de onde estamos falando. Se você falar com um produtor agroecológico, ele come muito bem por muito pouco. Se falarmos com alguém que mora na favela do Rio de Janeiro e tem por perto só produtos ultra-processados, mora em desertos alimentares, para esta pessoa comer saudável pode se mais caro. Então, acho que depende muito da região e de quem estamos falando. Mas acredito muito na comida de verdade, que se comermos arroz, feijão, legumes, isso é muito bom e só é preciso querer e encontrar tempo para se dedicar um pouco mais a cozinha.

Como fazer os filhos terem uma alimentação natural em um dia-a-dia de festas infantis?
Bela: por isso que precisamos mudar nossa cultura. Enquanto tivermos festas com bolo e brigadeiro cheios de açúcar, fica difícil. Mas eu acho que a melhor maneira é a gente dar um bom exemplo em casa, ter uma boa comida em casa e mostrar que não tem que proibir o brigadeiro, mas não ser algo rotineiro. As festas de aniversário geralmente são a celebração da vida de uma pessoa, é aquele momento único no ano, então, é a hora que aquela pessoa tem para comer esses pratos. É importante não traumatizar a criança, dizer que aquilo não faz parte da dieta dela, mas ela pode comer de vez em quando. 

Atualmente, vivemos uma cultura forte onde a Internet tem muita influência sobre as pessoas. Ao mesmo tempo que vemos pessoas como você, que possui uma formação, também vemos pessoas que não possuem formação, mas ditam regras sobre alimentação. Qual sua visão sobre isso?
Bela: acho que a Internet tem muita informação e desinformação também. Cabe muito à pessoa criticar aquilo que ela lê, não temos que absorver e ter como verdade a tudo aquilo que somos expostos. Nem tudo que está por aí é verdade. 

O açúcar é o novo tabaco?
Bela: acho que isso pode ser considerado na maneira como utilizamos, ou ditamos nossas regras de consumo. Antes, o tabaco era visto como algo super elegante e era possível fumar em todos os lugares, e logo depois, passou a ser visto como algo danoso a saúde, com políticas públicas de proibição de propagandas, vendas em certos lugares e fumar em ambientes públicos. Acho que precisamos fazer a mesma coisa com o açúcar. Proibir a venda m todos os lugares e alertar quando tiver certa quantidade de açúcar. Acho que o açúcar pode se espelhar no tabaco para fazer com que consigamos diminuir o consumo dele na população.

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