latest Post

Entenda como acontece a violência doméstica

Ilustração de Daniel Garcia
 A violência contra a mulher não tem cor, etnia, idade ou classe social. Pode acontecer de maneira oculta e começar em atitudes corriqueiras. Para prevenir e conscientizar as pessoas que amamos desta forma de abuso, devemos ter conhecimento sobre como ela se sucede. Este compilado de informações serve como um manual do atual quadro do nosso país e de orientações para casos de violência. 

Tipos de Violência

 Antes, é importante ressaltar que a agressão física em ambientes domésticos não é a única forma de violência contra a mulher. Ainda existe a violência verbal, moral, sexual, patrimonial, obstétrica, psicológica, entre outras. Estas podem ocorrer antes ou depois da física, e até mesmo serem sinais de que o agressor é capaz de agir contra a integridade física da vítima. A seguir, observamos exemplos das tipificações da violência:


 A violência física contra a mulher não acontece apenas em ambientes domésticos, mas a realidade destas circunstâncias são mais evidentes, já que na maioria dos casos, a vítima possui envolvimento emocional e dependência financeira do seu agressor.

Dados no Brasil

 De acordo com o Mapa da Violência de 2012, O SUS atendeu mais de 70 mil mulheres vítimas de violência em 2011, sendo 71,8% dos casos ocorreram no ambiente doméstico. O Instituto Patrícia Galvão também traz as informações de uma pesquisa de 2013 sobre o tema, onde 54% dos entrevistados conhecem uma mulher que já foi agredida por um parceiro e 56% conhece um homem que já agrediu uma parceira.
 Segundo pesquisa do Instituto Avon em 2014, 3 a cada 5 mulheres afirmam já ter sofrido violência em relacionamentos. Também, segundo o Mapa da Violência de 2015, o Brasil é o quinto país onde mais se matam mulheres em decorrência do gênero.

Como a violência doméstica acontece

 Um grande engano ao falar sobre violência doméstica contra a mulher é pensar em um perfil do agressor, geralmente encarado como um homem agressivo, alcoólatra ou usuário de drogas, com distúrbios psicológicos. O abusador também pode ser um amigo da família que aparenta ser paciente e carinhoso com as pessoas ao seu redor ou alguém do seu ambiente de trabalho que se destaca positivamente. O caminho não é desconfiar de todos os homens ao redor, mas desconstruir a imagem de agressor representada pela mídia e se conformar em que a violência contra a mulher pode vir de qualquer pessoa.

 Também, é errado pensar em um perfil de vítima como uma mulher sem informação, autoestima ou condições para sair daquela situação. A desinformação, autoestima baixa ou dependência financeira podem ser agravantes para que uma mulher sofra ou continue em situação de violência, mas é errado pensar que isso acontece apenas com um grupo. Há mulheres que conhecem as legislações e possuem uma rede de apoio, mas não estão preparadas para enfrentar ou superar a violência sofrida.

 É importante notar que a violência doméstica não é só no plano dos relacionamentos amorosos. Ela pode ocorrer entre irmãos, pais e filhas, mães e filhos, padrastos e filhas, tios e sobrinhas, entre outras diversas possibilidades onde a agressão pode acontecer. Na maioria dos casos, a vítima é mais nova e exerce posição de submissão sob o agressor.

 Não é possível identificar personagens de agressores ou vítimas, mas existe um perfil dos episódios da violência, contínuo e repetitivo, onde os envolvidos possuem sempre os mesmos lugares e se não houver intervenção, o ciclo se repete.


 Os direitos da vítima

 A Lei Maria da Penha (número 11.340 de 2006) garante a proteção do Estado para a mulher vítima de agressão doméstica. Ao recorrer à legislação, ela possui os seguintes direitos:

  • Registro de boletim de ocorrência
  • Informação sobre todos os serviços disponíveis
  • Afastamento de até seis meses do trabalho
  • Acesso à serviços de acolhimento
  • Assistência judiciária da Defensoria Pública
  • Acesso prioritário aos programas sociais do governo
  • Medida protetiva de afastamento do agressor
  • Acolhimento de profissionais da rede de atendimento às mulheres em situação de violência
 Ao enfrentar uma situação de violência, a mulher pode continuar nela por não conhecer adequadamente seus direitos e serviços disponíveis para o seu atendimento. Por isso, é importante conscientizar e orientar vítimas para que enxerguem no poder judiciário e políticas públicas uma possível solução.

Ilustração de Daniel Garcia.

Como ajudar uma mulher em situação de violência

 Infelizmente, quase todos conhecemos ou já ouvimos falar de mulheres que sofreram violência doméstica. Por ser um problema público no Brasil, mesmo que nunca passemos por uma situação dessas, é importante conhecer a legislação e se dispor para orientar as vítimas que conhecemos. Nem sempre ela busca ajuda sozinha e em alguns casos, não compartilha sequer com familiares. Intervenções externas são necessárias para romper com o ciclo da violência.

  • Oriente a vítima sobre os serviços públicos disponíveis.
  • Não se omita a situação. Caso fique sabendo e a vítima não tenha pedido a sua ajuda, ofereça e deixe-a livre para aceitar ou não.
  • Não menospreze a situação ou julgue a vítima.
  • Tenha paciência caso a vítima volte para a relação. A superação de um relacionamento abusivo é um processo pelo qual ela não deve passar sozinha.
  • Se puder, encaminhe o agressor para acompanhamento psicológico.

 O número 180 está disponível para oferecer orientações em casos de violência. Também, algumas cidades já possuem atendimentos especializados e Casa da Mulher Brasileira, sendo um centro onde a mulher recebe toda a orientação psicossocial e jurídica no registro do boletim de ocorrência. Consulte as instituições responsáveis por isso na sua cidade, e mesmo que acredite que nunca vá utilizar deste direito em questão, tenha conhecimento sobre eles e se coloque à disposição para ajudar mulheres próximas a você. 

 São de pequenas atitudes que este sistema de violência com estatísticas espantosas é desconstruído. Compartilhe o texto com amigos e familiares, para que não vejam mais a violência doméstica de maneira superficial e possam agir a respeito.

About Sarah Santos

Sarah Santos
Recommended Posts × +

2 comentários:

  1. Amei o seu Blog que eu conheci atraves do grupo no facebook! saiba que violencia domestica è um Cancer Mundial, eu mesma ja tratei do assunto no meu Canal no Youtube:( e olha que eu vivo no Pias mais Feliz do Mundo!

    ResponderExcluir