A solidão da pessoa com deficiência

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 Estar fora do padrão de beleza pode influenciar negativamente nos relacionamentos em um contexto recheado de preconceitos. A deficiência física, intelectual ou mental pode ser um fator que afasta totalmente um indivíduo dos modelos estéticos ideais. Ao estar longe dele, até o amor pode se tornar mais difícil. Pessoas com deficiência estão cansadas e quiçá acostumadas com as barreiras arquitetônicas que a falta de acessibilidade traz, mas as dificuldades do convívio sempre serão maiores e mais árduas de se superar.

 Mesmo em meio à discursos politizados, o preconceito segue velado. Nunca se ouviu tanto a palavra empatia, mas ainda que estando no lugar do outro, as pessoas insistem em colocar seus supérfluos julgamentos na frente, as impedindo de se relacionar com indivíduos incríveis. Avançamos no que diz respeito à igualdade de gênero, respeito racial ou a orientação sexual. Levantamos bandeiras pelo fim das injustiças sociais, mas no que diz respeito às pessoas com deficiência, a prática é muito diferente das teorias que repetimos no espelho todos os dias.

 Vez ou outra, a discriminação bate à porta. Ao conhecer uma pessoa nova e sentir que "deve" à ela justificativas sobre a deficiência, ao receber elogios como "parabéns por sair de casa", "você é bonita para uma menina com deficiência" enquanto passeia à noite, ao ser enaltecida como exemplo de superação enquanto só quer se distrair. Acredite, é um fardo ser visto com o estereótipo de herói o tempo todo. Mas, mesmo que inconscientemente, pessoas com deficiência são postas em um pedestal que dificulta mais ainda os relacionamentos.

 A imagem do parceiro supervalorizado também paira nesses relacionamentos. Pois quando uma pessoa com deficiência namora alguém sem deficiência, é comum olhar seu companheiro com outra aura, como se ele fosse bondoso e amável demais por se relacionar com alguém que possui uma dificuldade. Há casais que não ligam, mas os holofotes sobre esses relacionamentos mostram uma clara situação de prega de rótulos.

 Por esses motivos, é muito mais fácil encontrar pessoas com deficiência em relacionamentos abusivos, sofrendo violência psicológica, moral ou no pior dos casos, física. São indivíduos vulneráveis demais para se relacionar, mas diferentes demais para serem valorizados como quem preenche todos os padrões de beleza. O medo de estar sozinho faz com que suas qualidades sejam negociadas em troca um pouco de afeto. E não há crime maior consigo mesmo que negar o que tem de bom em si.

 Tem que se ter muito amor próprio para viver em uma sociedade preconceituosa sem esmurecer. Acreditar em si mesmo e em quem está por perto para se relacionar com confiança, respeito e carinho. Reconhecer suas qualidades e investir nelas. Mas também, é preciso que pessoas que não possuem deficiências desarmem-se vasculhem seus preconceitos e se desarmem deles, para ter a chance de conhecer pessoas tão bacanas quanto aquelas que preenchem todos os requisitos de beleza. E quando não der certo, vista-se de coragem e destreza para seguir em frente. Pois estar junto de alguém é bom, mas estar bem consigo mesmo é delicioso.


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