É tudo puta, mesmo?

15:39


 Tive ótimas amigas no ensino médio. Um grupo de jovens e dedicadas garotas que apoiavam uma a outra, não importa o que ocorresse... Sinto falta daquele tempo, mas hoje noto atitudes quase doentias de nossa parte. Nossa insegurança e imaturidade juvenil fazia com que olhássemos torto para qualquer menina que tivesse um comportamento distante do que considerávamos apropriado. E os adjetivos de "piranha", "biscate", "piriguete" eram uma forma de castigá-las por isso.

 Crescemos sendo ensinadas a odiar garotas com atitudes diferentes das nossas. Fomos altamente treinadas para "cuidar do que é nosso", desconfiando de qualquer amiga, ex, atual, prima ou conhecida dos rapazes com os quais nos relacionamos. Um posicionamento desgastante para nós e para as supostas outras.

 Fomos instruídas para uma competição simbólica de quem é mais bonita, inteligente, possui as melhores roupas ou o corpo mais curvilíneo, e não aprendemos isso com nossas mães, ou em uma escola especial para garotas. A moda, a mídia, o entretenimento e as demais esferas da sociedade nos empurram para um cenário onde a mulher só é realizada ao provar sua superioridade. E geralmente, essa disputa tem como objeto final, adivinhem... Um homem.

 Com isso, constantemente reproduzimos machismo, misoginia, racismo e demais abobrinhas que nos fazem vítimas de nosso próprio azar. Porém, por sorte, o tempo mostra que nenhum rapaz vale tamanho esforço e essa cultura que nos persegue e diminui pode ser desconstruída quando olhamos para outras mulheres com empatia, considerando-a dona de desejos, medos e sentimentos parecidos com os nossos. É dessa forma que todo ser humano merece ser visto.

 Descobri ser tão puta quanto as garotas do colegial das quais passava o recreio dando risada, e que não é preciso ter uma vida sexual ativa, possuir um vestuário provocante ou um palavreado vulgar para isso. Ao assumirmos nossa personalidade sem considerar o pensamento alheio, críticas virão à tona, e isso ocorre com um potencial muito maior quando se é mulher.

 Devemos combater o machismo na tentativa de sermos pessoas melhores todos os dias e se recusar a permanecer nesse campo minado de mulheres. Largar o fardo de brigar com outras garotas pela atenção masculina é revigorante, e perceber-se incrível o bastante para não precisar dessa atenção, é melhor ainda. As tais "inimigas" são tão singulares, especiais e dignas de respeito quanto você. 

You Might Also Like

3 comentários