Uma carta para você

20:50

 Comecei a escrever assistindo Chiquititas (sim, aquela novelinha da década de 90). Com apenas 7 anos e pouquíssima bagagem, me inspirei no final feliz de uma personagem que superou as dores da vida fazendo literatura. Mal conseguia segurar um lápis ou sabia ler todas as palavras, mas me arriscava escrevendo contos que só minha mãe e professora de língua portuguesa entendiam. Não demorei muito para me tornar a aluna que mais esperava por pedidos corriqueiros de produções textuais e embarcava em uma viagem diferente em cada um deles.
 Quando ganhei meu primeiro livro, a formiguinha e a neve, senti pela primeira vez o calor no coração que denunciava minha vontade de compor histórias, construir aventuras irreais e contar para todos que conhecia. Esse desejo era alimentado a cada conto escrito à mão, com letras quase ilegíveis e muito amor. Aliás, eu sou feita de amor da cabeça aos pés.
 Romântica assim, boba assim, cresci escrevendo. Não tive mãe professora ou pai escritor, não recebi incentivo financeiro ou uma fada madrinha que me fizesse mais talentosa. Mas jamais pensei em voltar atrás, ser advogada ou bailarina, como minhas amiguinhas. Eu queria é sentir o prazer de um personagem inventado, um desfecho desenrolado e o tão esperado final feliz.
 Com o tempo, aprendi que personagens se contradizem, desfechos se embaralham e nem sempre existe final feliz. Mas a escrita não me abandonou. Do lápis passei para a caneta, e da caneta passei para o teclado. Do caderno para o monitor. Da companhia de minha professora para um público um pouco maior, mais crítico e curioso.
 Na literatura descobri o jornalismo, o que me fez a garota mais feliz do mundo. E o fato de eu não querer ser advogada, bailarina, engenheira ou médica passou a incomodar algumas pessoas que esperavam mais de mim. Mas, infelizmente ou não, escritora é o melhor que posso ser. No jornalismo as histórias ganharam nomes, endereços, datas, interesses e estratégias reais. O fator realidade exige muito mais de mim.
 Essa é minha pequena contribuição para o universo. Sem grandes pretensões, escrevo sempre que me sentir com medo, apaixonada, engasgada ou com vontade de tagarelar. Tenho grandes amigos, mas o curativo definitivo para minha solidão sempre serão as palavras, o sol que clareia minhas ideias e me faz mais sábia são meus próprios pensamentos traduzidos em versos. Que esse laço não acabe nunca.
 A literatura me ensinou a ser romântica, o jornalismo me ensinou a ser curiosa.

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10 comentários

  1. Engraçado, Sarah, ler esse seu texto, porque me lembrou um que escrevi falando exatamente sobre a mesma coisa mas dizendo exatamente o contrário. O jornalismo me desensinou a escrever. Me tirou as palavras, minha literatura. Ando tentando recuperar isso com tudo que tenho, mas é difícil.
    Talvez seja porque você ainda tá no começo do curso, eu já tava ali nas portas do terceiro ano quando tive meu primeiro ataque de "EU NÃO CONSIGO ESCREVER", não sei. Ou simplesmente você abordou o curso e encontrou nele algo que eu não consegui enxergar.
    Jornalismo foi tudo que eu quis por muito tempo, exatamente pelo mesmo que você: as palavras. Contar histórias. Mas no fim eu acabei me decepcionando bastante. Hoje eu só quero me formar logo. rs
    De qualquer maneira, eu espero que você realmente encontre a felicidade na sua profissão, caloura. É ótimo trabalhar com aquilo que te satisfaz!

    Beijos!
    www.jadeamorim.com

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    1. Acho que ainda estou remando nas possibilidades que o jornalismo pode me oferecer dentro da literatura, é um esforço diário pensar no mercado e em como eu pretendo sobreviver a ele, mas acho que a academia só me fez bem quanto à escrita, e melhorou esse meu relacionamento. Espero que consiga se encontrar também, torço por ti, veterana! Abraço.

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  2. Muito bom Sarah parabéns!
    Quero ler mais em!
    "Tenho grandes amigos, mas o curativo definitivo para minha solidão sempre serão as palavras"💕

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    1. Obrigada! Vou estar colocando conteúdo diariamente, conto contigo para me acompanhar. Abraço <3

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  3. Muito bom, me identifiquei em alguns momentos, TB amo escrever, mas de uns tempos para cá fui pega pelo bloqueio e nada sai ;(

    relaxaecurteoficial.blogspot.com

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    1. Poxa, trabalhe isso! Não deixe que o bloqueio te impeça de fazer algo que gosta. Beijão!

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  4. que linda postagem!!! voltarei sempre por aqui.
    beijos^^
    http://escreverdayse.blogspot.com.br/

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  5. Eu sempre quis fazer jornalismo, mas você sabe como são as coisas, não é? Acabei fazendo direito, mas nunca abandonei o que eu realmente queria fazer. Graças a Deus meu campo é muito amplo e posso ser quem eu quiser nas minhas linhas, assim como você. Sua história é linda! Tenho certeza que as pessoas a sua volta sentem muito orgulho de vê-la progredindo nessa área! Parabéns por seguir seus sonhos! Sucesso!
    Se Nada der Certo

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    1. Ainda bem que o jornalismo e o direito são amplos o bastante pra gente patinar na área e tentar aconchegar-se onde nos identificamos. Desejo sucesso pra ti, continue investindo no que gosta e lhe faz bem. Abraço!

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