Sobre meu ensaio sensual e a construção da autoestima

12:31


 Muito pouco se explora sobre a questão da deficiência, em qualquer aspecto. Vivemos dias de Paraolimpíadas e isso evidencia mais ainda o discurso que já cansamos de ouvir. A falácia sobre deficiência funciona de maneira muito simples: se você tem uma deficiência e se destaca em qualquer área, é visto como um super heroi, uma lição de superação para pobres mortais que reclamam da vida. Se você tem uma deficiência e não se destaca em alguma área, é um coitado, vítima da vida, necessitado de caridade.

 A deficiência vai contra qualquer padrão estético de beleza já constituído. O corpo deficiente não aparece em revistas de moda, anúncios de televisão ou novelas. E quando aparece, sempre vem com uma mensagem por trás, ou uma pessoa sem deficiência atuando. Imaginem quão difícil é construir sua autoestima em cima de tudo isso?



 Já dizia Gandhi: "seja a mudança que você quer ver no mundo", e a partir dessa frase comecei a caminhada sobre minha autoestima. A primeira lição importante é que: autoestima não é um pacotinho que vem pronto na porta da sua casa quando se nasce bonita. A beleza em si não cabe em um pacotinho. Ela é subjetiva, pode expressar-se de diversas formas, sobre diversas perspectivas. Não é a toa que vemos milhares de garotas lindas, que encaixam-se nos padrões estéticos de beleza, infelizes consigo mesmas.

 Autoestima é sobre como você se vê, e a partir disso se posiciona no mundo. Mas essa visão de si mesma é construída aos poucos, e nesse processo, entramos em conflito com nós mesmas. Com isso mudamos o cabelo, as roupas, o comportamento e o que mais for suscetível a alterações. Também, procuramos ter em quem se espelhar e no caso de uma pessoa com deficiência, referências simplesmente não existem. Nesse momento encontro-me novamente com a frase de Gandhi. Se não existe uma referência para seguir, que sejamos nós mesmas a referência.


  E não pense que uma vez construída, a autoestima será sólida. Também precisamos escutar nosso corpo quando ele pede socorro, seja por estresse ou hábitos que não edificam nossa saúde, precisamos estar rodeados de pessoas que nos façam sentir bonitas. Relacionar-se com alguém que lhe faça parecer difícil de ser amada só tornará essa estrada mais difícil ainda. Afaste-se de indivíduos tóxicos. Conheça a si mesma, aceite seu corpo e então, interaja com ele para tornar-se cada vez melhor, por dentro e por fora.

 Tenho meus dias cinzas. Em que não gosto de mim mesma, em que entro em conflito por não me encaixar no modelo x ou y. Mas aí, lembro-me de tudo que já percorri para resgatar a garota linda que há dentro de mim, e que existe dentro de cada uma de nós. Então, volto a ser a mudança que quero ver no mundo.


 O ensaio fotográfico foi uma proposta do Projeto Blackout, que trabalha a beleza real da mulher através de suas singularidades. No meu caso, foi a deficiência. Confesso que foi um desafio tirar a roupa e surpreender quem me conhece livrando-se da imagem infantilizada que tinham de mim. Mas ver o resultado e saber que eu pude inspirar outras garotas a prosseguirem em sua caminhada pela autoestima fez tudo valer a pena.

 Não está gostando do que vê quando olha no espelho? Pergunte a si mesma o que acha que precisa para melhorar. Passe um batom vermelho, saia com amigas, coloque aquela roupa que você mais gosta. Curta seu corpo antes de qualquer coisa. Existe uma garota incrível dentro de você que só está esperando um gatilho para se mostrar. Permita-se conhecê-la.

 Para assistir o Making Of do meu ensaio, clique aqui. Sucesso na sua caminhada!



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4 comentários

  1. Que texto mais lindo! Obrigada por isso! Você é linda! E não precisamos de padrões para nos constuir!
    www.retalhodavida.wordpress.com

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    1. Eu que agradeço pela sua visita, espero que tenha gostado! Abraço <3

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  2. uma palavra: ADMIRAÇÃO.

    adoro seu blog Sarah :)

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