Projeto Empoderar: escreva como uma mulher

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 A moça de cabelos ruivos, pele enfeitada com sardas e voz doce tem 21 anos e estuda jornalismo na capital sulmatogrossense. Conhecida como “Silvia” pelos professores e “Lena” pelos amigos, traz em si um sorriso fácil e jeito tímido. Quem se limita a seus modos acanhados, ainda não conheceu Helena Souza, mulher observadora, com escrita precisa e sensibilidade fora do comum, autora de (Im)Perfeição.

 A entrevista foi feita em um ônibus de viagem, onde tanto a entrevistada quanto a entrevistadora vestiam cara de sono, mas acompanhadas de um sorriso de felicidade por estarem ali. O áudio com as falas dela é repleto de pessoas cantando ao fundo, risadas e gritaria de velhos amigos. E foi essa mesma ternura de Helena deu origem a uma série de histórias e personagens. 

 Sua história com a escrita começou desde muito nova, sobre isso ela conta: “quando as professoras pediam para a sala fazer redação, eu adorava”. Foi incentivada por sua avó, que dividia suas experiências com ela. Porém, teve altos e baixos em relação a seu processo criativo: “em 2010 eu comecei a escrever um livro, bem no estilo Meg Cabot, mas desisti por não me sentir preparada”.


 Em 2012 houve uma segunda tentativa com um livro sobre fantasia medieval, mas conta que parou novamente. No ano seguinte surgiu a ideia inicial para Imperfeição, “dessa vez vai, eu não vou desistir desse livro”, ela enfatizou. A partir disso, começou sua caminhada firme e compassada pelo universo da literatura. 

 A Internet foi uma virada imprescindível para o enredo de Helena, que utilizou dela para escrever fanfics, contos e textos, aprimorando seu talento e conquistando público. “Isso é muito importante, é como se fosse a parte júnior de fazer um livro. Nas fanfics você tem um alcance menor, mas consegue se desenvolver.”, a escritora estima que a resposta do público é mais rápida e isso colabora diretamente para a caminhada do autor, que pode usar da rede como sua aliada. Você pode conhecer seu trabalho em “Parabéns, você é o número 100”.

 Escrever foi uma ação que influenciou o desenvolvimento pessoal de Helena. Ao criar uma realidade diferente da sua, conta que é necessário ser mais observadora às pessoas a sua volta. “Quando escreve, você passa a se importar mais com as pessoas”, diz. Essa observação levou-a à publicação de seu primeiro livro. No mesmo dia em que surgiu a ideia, a garota descreveu a personalidade de cada personagem e iniciou uma pesquisa sobre todos os assuntos que rodeiam o livro: a polícia estadunidense, o perfil de um serial killer, estratégias de investigação… Seus novos conhecimentos foram sementes para esse romance policial.

 Ao terminar o livro, Helena tomou uma decisão corajosa: arriscar uma publicação independente, ao invés de esperar por uma editora. Sobre isso, conta: “tudo fica nas suas mãos. Desde a parte de pré produção que é a revisão, diagramação, capa…”. Seu maior desafio foi a diagramação, mas aprendeu e editou o livro sozinha. Pediu para amigos em quem confiava revisarem o material, a escolha da gráfica e processo de pós produção, ou seja, divulgação do livro, também ficaram por sua conta.

 Suas metas agora são escrever mais livros, alcançar públicos maiores e desenvolver sua escrita, sabendo que ainda há muito o que aprender. Sobre suas inspirações, a observação direta lhe ajuda bastante, além dos seriados que assiste, experiências já vividas por ela mesma e por amigos.

 Para quem quiser comprar seu livro, por enquanto não poderá ter a versão física, que encontra-se esgotada. Mas pode adquirir por e-book, além de visitar seu site, onde ela posta crônicas e contos. Helena é uma grande amiga, dona de muita sensibilidade e provou o quanto é destemida ao publicar sue próprio livro de forma independente, não poderia haver escolha melhor para o primeiro capítulo desse projeto. Até a próxima!


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